GOVERNO TRUMP PRESSIONA ALIADOS APÓS PAINEL APONTAR EUA COMO AMEAÇA À EUROPA

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O governo de Donald Trump pediu a aliados que deixassem de apoiar a conferência #Disinfo2026, realizada em Vilnius, na Lituânia, após a inclusão de um debate que apresentava os Estados Unidos como uma possível ameaça à Europa no campo da desinformação.

A solicitação partiu do Departamento de Estado americano e foi direcionada a representantes do Canadá, da França e da Lituânia. O evento ocorreu entre quarta e quinta-feira (8), na capital lituana, com programação voltada ao debate sobre campanhas de desinformação.

Um dos painéis tratava os Estados Unidos como uma “ameaça de manipulação e interferência estrangeira de informações”. A agenda também previa a participação da juíza Kimberly Prost, do Tribunal Penal Internacional, sancionada pelo governo americano.

Diplomatas dos Estados Unidos mantiveram contatos por vários dias com autoridades dos três países para questionar o apoio à conferência. A embaixadora americana na Lituânia, Kara McDonald, participou das conversas com o governo lituano.

Após os contatos, a Lituânia cancelou sua participação. O Ministério das Relações Exteriores do país afirmou que alguns trechos da programação não estavam alinhados às posições oficiais do governo.

O Canadá também alterou seus planos, mas manteve representantes no encontro. A chancelaria canadense informou que revisou a presença em determinados debates depois de mudanças na forma como os temas seriam apresentados.

Canadá e Lituânia apareciam inicialmente entre os principais apoiadores do evento, organizado pela EU DisinfoLab, entidade sediada em Bruxelas que reúne especialistas e representantes governamentais para discutir desinformação. O serviço diplomático da União Europeia também deixou de constar na lista de apoiadores. A França manteve o apoio à conferência.

O Departamento de Estado criticou a abordagem do evento e afirmou que o afastamento de alguns países não deveria surpreender. Para o órgão, enquadrar os Estados Unidos como ameaça no campo da desinformação prejudica objetivos comuns e deveria preocupar os envolvidos.

A programação que gerou a reação americana estava disponível ao público desde pelo menos 9 de setembro. O painel propunha discutir como os Estados Unidos teriam passado a ser vistos como risco de manipulação e interferência informacional para a Europa, além de avaliar possíveis respostas dos países europeus.

Um diplomata francês afirmou que o governo de Emmanuel Macron não participou da elaboração da agenda da conferência. Segundo ele, a França costuma apoiar iniciativas de organizações civis dedicadas ao enfrentamento da desinformação.

A controvérsia ocorre enquanto a Lituânia busca ampliar a presença militar dos Estados Unidos em seu território. O país, que faz fronteira com Rússia e Belarus, já abriga tropas americanas e demonstrou interesse em receber uma base permanente, com custos assumidos pelo próprio governo lituano.


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